
O crochê, que começou como um simples passatempo, mudou completamente a vida de dona Assenção Soares. Foi dentro de casa, observando uma vizinha trabalhar com linhas e agulhas, que ela aprendeu os primeiros pontos e descobriu uma habilidade que, com o tempo, se transformaria em profissão.
A prática, inicialmente feita por curiosidade, passou a fazer parte da rotina. Dona Assenção começou produzindo bolsas artesanais, sempre apostando em peças feitas à mão, com cores, detalhes e combinações exclusivas. O cuidado no acabamento e a originalidade dos modelos logo chamaram a atenção de clientes e admiradores.
“Eu comecei aprendendo com uma vizinha e fui pegando gosto. Quando vi que as pessoas elogiavam minhas peças, percebi que aquilo podia ser mais do que um passatempo. Hoje, o crochê é meu trabalho e também o meu sonho”, conta dona Assenção.
Com o reconhecimento do público, a artesã decidiu transformar o talento em negócio. A procura pelas bolsas cresceu, e ela tomou uma decisão importante: deixou o emprego fixo para viver exclusivamente do artesanato. Hoje, cada peça pode levar dias para ficar pronta, e os valores variam entre R$ 300 e R$ 500, conforme o modelo, o tamanho e o nível de detalhamento.
Apesar do crescimento, empreender ainda é um desafio. Sem um espaço físico próprio, dona Assenção enfrenta dificuldades para ampliar as vendas, receber clientes e divulgar melhor o trabalho. Mesmo assim, ela segue produzindo peças que unem técnica, identidade cultural e afeto.
Mais do que vender acessórios, a artesã entrega produtos únicos. Cada bolsa carrega combinações pensadas uma a uma, detalhes manuais e acabamento cuidadoso. O crochê, antes associado principalmente à tradição doméstica, ganhou novo espaço no mercado da moda e no empreendedorismo feminino.
A trajetória de dona Assenção mostra a força de mulheres que encontram no próprio talento uma forma de recomeçar. Em meio às dificuldades econômicas, o artesanato se tornou para ela uma possibilidade real de autonomia, renda e valorização da cultura feita à mão.
O maior sonho da artesã é abrir o próprio ateliê. No espaço, além de comercializar suas peças, ela pretende compartilhar conhecimento e incentivar outras mulheres a enxergarem no artesanato uma alternativa de independência financeira.
Ponto por ponto, dona Assenção não produz apenas bolsas de crochê. Ela constrói uma história de criatividade, resistência e esperança.


